DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA NO 5°ANO
É considerável o número de crianças que não conseguem aprender a ler e escrever nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esse problema vai se estendendo aos anos posteriores por conta do modelo de progressão continuada adotada pela maioria das escolas. Nesse caso, não há uma continuidade do processo de aprendizagem da leitura e da escrita. Sendo necessário que o professor do 5° ano, sistematize seu trabalho procurando criar ofertas múltiplas e estimulantes, proporcionando, uma imersão no mundo da leitura e da escrita. Além disso, deve oferecer condições para que essas se tornem efetivamente, uma prática interdisciplinar e intertextual. Uma proposta de ensino de leitura que objetiva o despertar do senso crítico do aluno pode contribuir positivamente para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. Porém, para solucionar as dificuldades, far-se-á necessário um esforço conjunto de toda equipe escolar, para que ao final de cada ano o aluno tenha adquirido as habilidades míninas e necessárias que são exigidas para o ingresso no ano posterior. Não aprender a ler e escrever é enterrar todo processo de desenvolvimento do sujeito em sua vida escolar e social; é negar-lhe o direito e cidadania.
INTRODUÇÃO
É considerável o número de crianças que não conseguem aprender a ler e escrever nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esse problema vai se estendendo aos anos posteriores por conta do modelo de progressão continuada adotado pela maioria das escolas e que, muitas vezes, não têm dado continuidade ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita, atribuindo ao aluno a culpa de seu fracasso escolar e em segundo plano ao professor-alvo fácil de ser abatido.
Uma proposta de ensino de leitura que objetiva o despertar do senso crítico do aluno pode contribuir positivamente para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. A leitura é um meio de apreensão e difusão do conhecimento, com Lajolo (1997), “o mundo da leitura nos leva à leitura do mundo, ao conhecimento dos outros e de nós mesmos”. No entanto, a prática de leitura na escola parece adotar uma concepção e seguir um objetivo que nada tem a ver com aquisição de conhecimento, nem tampouco com a formação de leitores críticos. Formar hábito de leitura é necessário, especialmente em crianças e adolescentes, pois os livros fornecem matéria intelectual e emocional e cultivam o humanismo.
Como afirma Zilberman (1999), crianças que desde os primeiros anos de vida se habituam a manusear livros infantis e ouvem histórias contadas pelos pais, avós ou babás e mais tarde lêem aventuras cujos protagonistas são crianças de sua mesma faixa etária, provavelmente desenvolverão com mais rapidez o ofício da leitura. Essas crianças, na fase adulta, com certeza sentirão um imenso prazer na leitura. São capazes de ler e escrever mais facilmente, desenvolvem a imaginação e amadurecem a sensibilidade mais rapidamente que outras crianças em situações adversas.
A nossa decisão em pesquisar o problema de aquisição da leitura e da escrita no 5o ano “B” da Unidade Escolar Senhor Carvalho, visa traçar o quadro diagnóstico vivenciado no cotidiano da sala de aula sobre o tema em estudo na perspectiva de repensar as condições de leitura e escrita que vêm sendo oferecidas pela escola. É válido ressaltar que a turma citada foi escolhida apenas como amostra para o tema em estudo, sendo este um problema das instituições escolares e não somente da pesquisada.
O assunto em estudo é urgente: não aprender a ler e a escrever é emperrar todo o processo de desenvolvimento do sujeito em sua vida escolar e social; é negar-lhe o direito de cidadania; impossibilitá-lo de desvendar o mundo através da leitura e do escrever sua própria história.
CONCEPÇÕES DE TEÓRICAS DE LEITURA DE ESCRITA
Para abordar o tema do desenvolvimento de leitura e escrita na 4a série, faz- se necessário uma reflexão sobre o processo de alfabetização na educação básica e como este vem sendo considerado numa perspectiva histórico-cultural, observando que tal tema tem sido alvo de discussões e estudo ao longo de um período considerável na educação brasileira. No entanto, não esgotado, por apresentar-se com problema atual, que carece de questionamentos e pesquisa.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, no 9.394 de 20/12/96 – nova LDB, o Ensino Fundamental tem por objetivo a formação básica do cidadão mediante: “O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo” (Art. 32, I).
Cabe à escola a maior parcela de responsabilidade de formar cidadãos críticos e capazes de atuar com competência e dignidade na sociedade, e talvez de criar situações interativas e conscientizadoras junto a essa sociedade para que venha auxiliá- la na execução de tal tarefa para isso, deverão desenvolver como objeto de ensino, conteúdos que estejam em consonância com as questões sociais. A aprendizagem desses conteúdos é condição essencial para que os alunos possam exercer seus direitos e deveres.
Kramer (2006) nos afirma que garantir o acesso à leitura e à escrita é direito de cidadania e que a escola tem um papel importante a desempenhar na concretização desse direito, neste entorno, é necessário, que a escola assuma a valorização da cultura de seu próprio grupo e, ao mesmo tempo, busque ultrapassar seus limites, proporcionando às crianças e aos jovens dos diferentes grupos sociais o acesso ao saber em seu sentido mais amplo. Nesta perspectiva é importante a produção e a utilização de diferentes linguagens como mecanismos de expressão dos conhecimentos históricos, sociais, científicos e tecnológicos, sem perder de vista a autonomia intelectual do aluno. Sendo que o ensino-aprendizagem da leitura na formação intelectual do educando desempenha um papel relevante na construção do conhecimento especialmente quando trabalhado com vistas à formação do senso crítico do aluno-leitor.
A criança desde pequena institui de alguma forma o significado de ler e escrever. Assim como, ainda bebê, se exercita maravilhada, repetindo sons/sílaba, passo essencial na aprendizagem da fala, encontra-se mais tarde no desenho de letras e palavras até que um dia se percebe “leitora” e “escritora”, seu entusiasmo não vem do fato de dominar uma técnica de coisas desconhecidas. Trata-se, dessa forma de perceber-se capaz de penetrar num mundo novo, cheio de mistérios a desvendar, de começar a escrevê-lo. Uma vez que a leitura é, sobretudo a compreensão dos outros, a escrita é, sobretudo a compreensão do próprio sujeito, porque ambas ajudam a ver além das letras, a criar além das palavras.
De acordo com os PCN’s,
Leitura e escrita são práticas complementares fortemente relacionadas, que se modificam mutuamente no processo de letramento – a escrita transforma a fala (a construção da “fala letrada”) e a fala influência a escrita (o aparecimento de “traços de oralidade” nos textos escritos). São práticas que permitem ao aluno constituir seu conhecimento sobre os diferentes gêneros, sobre os procedimentos mais adequados para lê-los e escrevê-los e sobre as circunstâncias de uso da escrita. A relação que se estabelece entre leitura e escrita, entre o papel de leitor e de escritor, no entanto, não é mecânica: alguém que lê muito é automaticamente, alguém que escreve bem. Pode-se dizer que existe uma grande possibilidade de que assim seja. É nesse contexto considerado que o ensino deve ter como meta formar leitores que sejam também capazes de produzir textos coerentes, coesos, adequados e ortograficamente escritos – que a relação entre essas atividades deve ser compreendida. (PCN’s volume 2, 1997, p. 52/53).
Segundo Ferreiro (1993), um aspecto importante no processo de construção da leitura e escrita é o problema cognitivo envolvido no estabelecimento da relação entre o todo e as partes que o constitui. A autora nos mostra que a criança elabora uma série de hipóteses de leitura e escrita trabalhadas através da construção de princípios organizadores, resultado não só de vivencia externas, mas também por um processo interno. Mostra também como a criança assimila seletivamente as informações disponíveis e como interpreta textos escritos antes de compreender a relação entre as letras e os sons da linguagem. As crianças elaboram idéias próprias a cerca da escrita, ou seja, definem critérios e constroem hipóteses para interpretar o objeto de conhecimento (a língua escrita).
Nesse enfoque, a leitura, faz parte de nosso cotidiano, indo além da habilidade de decifração de sinais aprisionados em uma perspectiva técnica. Mais que isto, ela promove novos saberes no encontro entre o texto e o leitor. É válido destacar a distinção entre ledor e leitor, conforme assinala Perrotti (1999) que, entre um e outro existe uma grande distância, o ledor prefigura aquele ser passivo, imobilizado, que pouco ou nada acrescenta ao ato de ler. O texto para o ledor não tem aberturas, porque ele decifra mecanicamente os seus sinais. Não há mistério, nem criação. A leitura é definitiva. O leitor, no entanto, é móvel e tem um olhar definido, errante e criativo sobre o texto, que se permite ler em suas linhas e entrelinhas, desvelando seus sinais visuais e invisíveis, isto só ocorre quando se dá o pacto entre texto e leitor, que o ledor não se arrisca a fazer.
A leitura remete ao texto é à sua rede de significações. O texto remete a idéias, valores, crenças, ideologias, sentimento, emoções e afetos. A primeira é um ato de vida, de relações com o mundo, com o outro e consigo mesmo. Neste contexto, as contribuições de Freire (1999) são relevantes:
A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo. E aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade. É urgente que a questão da leitura e da escrita seja vista enfaticamente sob o ângulo da luta política a que compreensão científica do programa trás sua colaboração. É um absurdo que estejamos chegando ao fim do século, fim do milênio ostentando os índices de analfabetismo, os índices que e das que mal alfabetizadas, estão igualmente proibidas de ler e escrever, o número alarmante de crianças interditadas de ter escolarização e que com isso convivamos quase como se estivéssemos anestesiados.
A apropriação da leitura pela escola não possibilita a descoberta do real caminho, que conduziria o ensino para fora da escola e ao encontro dos problemas sociais. A preocupação didática com métodos para alfabetizar, priorizando técnicas, ou a discussão sobre condutas e modelos textuais para criar o hábito de ler são comportamentos comuns que afastam o leitor do livro e o prazer de ler da escola.
A leitura não é um ato solitário e isolado dos problemas sociais fora do mundo, Soares (1998, p. 47) define que “A leitura é interação verbal entre indivíduos, indivíduos socialmente determinados: o leitor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e os outros; entre os dois: enunciação e diálogo”. A leitura possui então múltiplos valores em nossa cultura. A posse e o uso da escrita, no entanto, ainda é privilégio das classes economicamente privilegiadas, o que acaba por determinar a utilização da sua norma lingüística, por ser a mais prestigiada socialmente. Para esse segmento, atribui-se à leitura um valor positivo, benéfico ao indivíduo e à sociedade como forma de lazer, prazer, enriquecimento cultural e ampliação de horizontes. Já para as classes populares, a leitura funciona como instrumento para obter melhores condições de vida, ressaltando-se aí uma função utilitária.
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